O treinador alemão celebra com a Áustria a primeira participação no Mundial desde 1998. O treinador conta com um amuleto da sorte, enquanto o jogador recordista Arnautovic faz sugestões curiosas.
Quando o triunfo histórico de Viena se concretizou, Michael Gregoritsch caiu de joelhos. O marcador da Áustria cobriu o rosto com as mãos, antes de inúmeros colegas de equipa se aproximarem a correr e se lançarem sobre ele, radiantes de alegria.
Pela primeira vez desde 1998, a república alpina volta a participar num Mundial de Futebol. Trata-se do ponto alto, por enquanto, da era do treinador alemão Ralf Rangnick, que, após o empate libertador por 1-1 contra a Bósnia-Herzegovina, se mostrou «exausto», mas feliz.
O treinador de 67 anos deu um grande gole de Coca-Cola durante a conferência de imprensa, para repor as energias após uma intensa última jornada da fase de grupos, marcada por um golo sofrido logo no início e por um golo anulado após consulta do VAR. «Muito no topo, mesmo no topo», classificou Rangnick a sua primeira participação num Mundial. «Hoje sinto-me exatamente como em todas as promoções ou na conquista da taça com o Schalke. Logicamente, isto está ao mesmo nível.»
Provavelmente também por momentos como este é que o antigo treinador da Bundesliga chegou mesmo a recusar uma proposta do FC Bayern em maio de 2024.
Choque inicial causado por Tabakovic
Durante o jogo, guardou no bolso esquerdo das calças o seu amuleto da sorte, uma réplica em miniatura da taça do Mundial. «Graças a Deus que cumpriu a sua missão.» No entanto, Rangnick teve de passar por momentos de grande tensão no Estádio Ernst Happel até que a sua equipa conseguiu o empate necessário para garantir a vitória no grupo. Haris Tabakovic, do Gladbach (12.º minuto), tinha colocado os visitantes, treinados pelo antigo profissional do HSV Sergej Barbarez, em vantagem logo no início do jogo com um remate de cabeça. Só o suplente Gregoritsch (77.º) salvou a seleção austríaca da qualificação direta.
«De longe, o golo mais bonito da minha carreira», comentou o antigo avançado da Bundesliga na ServusTV sobre o seu golo marcado a poucos metros da baliza. «Não há sensação melhor. Isto é incrível! Conseguimos, fizemos história.» Depois disso, o herói aclamado interrompeu a entrevista com um sorriso: «Desculpem, tenho de comemorar!»
Arnautovic com «mensagem ao governo»
Diante da sua claque vermelha e branca, os jogadores posaram com um cartaz («CM 2026: Que loucura, meu!”), e no balneário dançaram ao som de clássicos do Austropop como “I Am From Austria” e “Strada Del Sole”. O ex-jogador do Bremen, Marko Arnautovic, sugeriu na ORF, numa “mensagem ao governo”, que o dia 18 de novembro fosse declarado feriado nacional, “porque provavelmente não voltaremos a viver isto”. Depois do Mundial, o «Arni» acabaria por se ir embora, acrescentou ele.
Ir ao torneio nos EUA, Canadá e México no próximo verão significava «tudo» para os seus jogadores, explicou Rangnick. Para a geração em torno do craque David Alaba, de 33 anos, da qual também faz parte Arnautovic, de 36 anos e recordista de internacionalizações, esta teria sido a última oportunidade.
«Eu próprio vivo novamente na Áustria há três anos e, naturalmente, também percebi o quanto as pessoas se identificam com esta equipa», disse Rangnick, que assumiu o cargo de diretor da ÖFB no verão de 2022. «Por isso, fico feliz por todos os austríacos por termos conseguido voltar a participar após 28 anos.» Naquela época, as estrelas da equipa do ex-treinador Herbert Prohaska eram Toni Polster, Andreas Herzog ou Michael Feiersinger. Após a fase de grupos, partiram de França sem terem conquistado nenhuma vitória. Já há muito tempo.
A previsão de Rangnick para o Mundial: «Se estivermos completos…»
Rangnick acredita que a atual seleção tem potencial para ter um desempenho melhor do que os antigos heróis. «Se estivermos completos, acredito que temos boas hipóteses no Mundial de, pelo menos, passar a fase de grupos.» No último Euro, Rangnick teve de prescindir, entre outros, de pilares como Alaba e Xaver Schlager, do Leipzig. Após uma fase de grupos forte, a jornada terminou nos oitavos de final contra a Turquia (1-2).
«Estou ansioso pela viagem a Washington para o sorteio e depois veremos quem nos calha», afirmou Rangnick. A bola da Áustria estará no pote 3 no dia 5 de dezembro, o que significa que podem surgir adversários difíceis. Mas isso foi apenas uma nota à margem após a noite mágica de Viena.